tag:blogger.com,1999:blog-9127787.post-1151586411263178592006-06-29T13:50:00.000+01:002006-06-29T14:12:59.500+01:00um notícia sobre este trabalho<em>Aqui vai uma notícia saida hoje no jornal diário de Coimbra, As Beiras, sobre as vivências homossexuais em Coimbra.</em><br /><br /><a href="http://photos1.blogger.com/blogger/611/221/1600/2005_08_18_0092.0.jpg"><img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/611/221/200/2005_08_18_0092.0.jpg" border="0" alt="" /></a><br /><em>Esta foto, de Eduardo Basto, é uma das fotos do meu trabalho e que ilustra também esta notícia.</em><br /><br /><br /><strong>Resistência à homofobia nasce em certos locais da cidade</strong><br /><br /><em>Patrícia Cruz Almeida</em><br /><br />Em Coimbra, existem espaços, que não sendo locais de convívio gay, são percepcionados pela comunidade homossexual como sendo de maior liberdade.<br />Locais que vão criando resistência à homofobia.<br /><br />O Parque Verde do Mondego, alguns locais da Alta e a área da Praça da<br />República são alguns espaços da cidade que são percepcionados de um modo<br />diferente pela comunidade homossexual. As conclusões resultam de um estudo<br />realizado por Paulo Jorge Vieira, no âmbito de uma tese de licenciatura em<br />Geografia.<br />"A minha proposta foi a de fazer um trabalho sobre as vivências espaciais<br />urbanas dos homossexuais na cidade de Coimbra. Basicamente, parti da ideia<br />de que não há espaços de visibilidade homossexual na cidade. Não há nenhum<br />bar gay em Coimbra, um espaço de encontro, pelo menos óbvio".<br />Durante um ano, Paulo Jorge Vieira fez observação participante em diferentes<br />locais da cidade, tendo realizado inquéritos e entrevistas a cerca de 60<br />homossexuais.<br />"Uma das conclusões é que a cidade tem vindo a mudar e já foi muito mais<br />conservadora do que é hoje". Um dos factores que tem contribuído para essa<br />mudança é o facto de haver lugares onde os homossexuais começam a criar,<br />eles próprios, resistência à homofobia que "ainda está muito marcada na<br />cidade".<br />A comunidade organiza-se por redes de amizade, "em que a possibilidade de<br />estar com os amigos e de sair com eles é um dos elementos fundamentais, o<br />que demonstra a importância das amizades e a possibilidade de encontro e de<br />convívio com outros homossexuais, sobretudo de jovens, para poderem estar à<br />vontade e falarem das suas vivências", explica o autor do estudo. "É<br />essencial que existam essas redes e, as associações - não te prives e a Rede<br />Ex Aequo - têm, aqui, um papel importante", acrescentou.<br />Ao criar essas redes de amizade, a comunidade, estando dispersa pela cidade<br />- já que não há dados que demostrem uma concentração residencial de<br />homossexuais - concentram-se em locais que são percepcionados como sendo<br />espaços de maior liberdade.<br />"Embora não sendo gays, são lugares onde a comunidade expressa melhor os<br />seus gestos de carinho", refere Paulo Jorge Vieira, notando que grande parte<br />dos inquiridos confessou ter dificuldade em ter um gesto de carinho num<br />espaço semi-público como é um bar.<br />Uma das etapas mais difíceis para uma relação homossexual é, de acordo com o<br />autor do estudo, estar um espaço onde um gesto de carinho seja possível. "E<br />esse gesto de carinho pode ser tão subliminar como duas mãos dadas por<br />debaixo de uma mesa. Ou um toque. Ou um olhar. Há todo esse percurso e todo<br />esse modo de estar que se vai construindo nesses locais, onde há liberdade,<br />onde as pessoas se sentem livres e que são espaços de menos preconceito."<br />Embora a comunidade homossexual continue a encontrar, na cidade, várias<br />barreiras à expressão dos seus afectos, há um caminho que começa a ser<br />trilhado para derrubar o preconceito. O Teatro Académico Gil Vicente é um<br />desses locais. "As pessoas normalmente encontram-se bastante no TAGV e aí há<br />um efectivo à-vontade da comunidade", lembrou o presidente da associação não<br />te prives.<br />"Se eu sair do trabalho e quiser ir beber um copo, eu sei onde vou encontrar<br />alguém conhecido. E é esta sensação de comunidade, de partilha de espaços,<br />de partilha de vivências que é possível criar", notou. Uma partilha que<br />traduz uma das formas mais importantes de resistência e de luta contra a<br />homofobia.<br />_________<br /><br />HOMOFOBIA<br /><br />"Coimbra é uma desilusão profunda"<br /><br />"Coimbra é um camisa muito apertada onde nós [homossexuais] ou nos<br />encaixamos ou sentimos uma incapacidade de integração muito grande", revela<br />Paulo Jorge Vieira. Por isso, é natural que haja ainda muitos jovens que<br />vivem em processos de solidão muito grande.<br />O activista dá o exemplo de alguns estudantes que vêm de pequenas aldeias ou<br />vilas do país, esperançados que Coimbra, o local que escolheram para<br />estudar, seja um espaço onde possam viver bem a sua homossexualidade. "Mas<br />ao final de um mês percebem, claramente, que a cidade não é assim. Alguns<br />deles dizem que Coimbra é uma desilusão profunda", relata.<br />Por isso, há muitos jovens que partem para outros locais porque a cidade<br />deixou de lhes dar espaço. Segundo Paulo Jorge Vieira há, por um lado uma<br />incapacidade institucional e, por outro lado, uma homofobia cultural e<br />social que permanece na sociedade portuguesa, mas que em Coimbra, "talvez<br />pela sua lógica tradicionalista, é muito marcada".<br />Porém, acrescenta, existem outros sentimentos discriminatórios como o<br />racismo ou outras formas de exclusão social. Paulo Jorge Vieira critica o<br />facto das principais estruturas da cidade - seja a Universidade de Coimbra,<br />a Câmara Municipal ou até a própria Associação Académica - "continuarem a<br />dedicar muito pouca - ou nenhuma - atenção a estas questões".<br /><br /><em></em><em></em>paulo jorgehttp://www.blogger.com/profile/16382536445093301281noreply@blogger.com